terça-feira, 12 de agosto de 2008

Retribuição_


Em minha curta vida sempre fui instruída a seguir três conceitos, expostos à mim pela figura de meus pais:
"Sempre ser honesta, sempre cultivar sorrisos e verdades e manter a sinceridade acima de tudo e para com todos."

Se hoje sou o que imagino ser, ou o que as pessoas julgam ver,isso foi alcançado devido a minha persistência em sempre seguir esses tais caminhos.

Eles nunca foram fáceis, ainda hoje sofro as penalizações que me são impostas, mas renderam (e ainda rendem) excelentes frutos.

Quando criança eu já forjava a minha inocência em uma nova forma: a consciência.

Aos treze anos eu já abria mão de muitas coisas, de muitos esteriótipos desprezíveis, de muitos sonhos ingênuos, de muitos muros intransponíveis... Sofri (e sofro), chorei (e choro) e sempre me diverti com tudo isso.

E foi também aos treze anos que uma história, toda cheia de magia e carinho, começou a se desenrolar sem chegar ao fim...

Foi um rapaz moreno, de estatura menor do que a minha na época, olhos e cabelos castanhos. Ele falava engraçado, agia de maneira estranha e eu já o deveria ter notado antes, mas nunca dei o valor devido àquela criaturinha saltitante.

Estudava em minha sala, remetia-me cartas e declarações de amor... A todo o momento buscava conversar comigo e me irritava de tal maneira que passei a considerá-lo como amigo.

A amizade sempre me surgiu assim, do nada. Muitas vezes como uma chance de me auto-afirmar, em outras (estas mais raras) como uma oportunidade de me expressar e aprender. A minha história junto a esse rapaz pertence ao segundo grupo.

Não possuíamos nenhuma semelhança. Ele sempre fora discreto, polido, elegante... Falava através de gestos, sempre se dedicava aos estudos e abominava tudo o que estivesse fora da ordem normal das coisas. Já eu, bem... Sempre falei alto demais, sempre perambulei feito sombra e sempre me contentei com poucas pessoas à minha volta.

Enfim, houve um momento em que éramos três. Três almas diferentes em tudo e unidas por um único vínculo que sequer conhecíamos.

O tempo passou e, dos derradeiros treze anos, nada ficou mais presente em minha vida do que a nostálgica presença do olhar e do abraço desse rapaz.

Cantamos desafinadamente juntos, nos vestimos de portugueses juntos (lembra-se disso?), discutimos e brigamos juntos... Dormimos um na casa do outro, assistimos filmes, nos empanturramos de brigadeiros... Estudávamos juntos, sorríamos juntos e chorávamos juntos... Desenhávamos juntos, poetisávamos juntos e guardamos feijões carregados de saudade juntos (Rep Lago, lembra?)...

Ele sempre fora paciente, calmo, cauteloso... Eu, sempre inconstante, por vezes desaparecia do mundo e só voltava quando ele me resgatava... A memória dele sempre foi perfeita. Até hoje, se eu me aventurar em uma discussão sobre algo passado, ele leva a melhor, pois à mim não se fazem presentes as cenas ou os diálogos vividos.

Caminhamos juntos, nos separamos juntos, nos confessamos juntos... E agora somos o dois que é um, os gominhos que formam a laranja, as cores que colorem os papéis e as letras que, apenas unidas, possuem algum valor.

Com ele aprendi que não posso impor minhas idéias e meus conceitos (talvez o mais importante aprendizado de minha vida), pois ele sempre fora teimoso e obrigava-me a argumentar sobre tudo o que eu achava certo.
Sempre curioso nunca se contentou com uma resposta simples. Por vezes ficava enfurecido por não possuir a mesma natureza que eu, por não pensar nas mesmas coisas que eu e por não ter as mesmas idéias que faziam a minha personalidade.

Mas é ele quem possui sempre as melhores idéias, os melhores pensamentos e as melhores condutas. Ele pensa, eu apenas sinto. Talvez por isso nos sentimos tão completos quando estamos juntos.

Ele foi o único que, em toda a minha vida, sempre me amou do jeito que eu sou. Eu, toda destrambelhada e indecisa, mudava de personalidade com a facilidade com que trocava de roupa (tá, confesso, ainda faço isso...). Todos à minha volta se assustavam e ele sempre surgia com palavras encorajadoras e amáveis...

Nos conhecemos há quase oito anos. Isso é mais do que tempo suficiente para se construir e estabilizar uma história junto à alguém e, ainda hoje, fazemos as mesmas coisas do passado... A única diferença é o ar pseudo-intelectual, que o dominou de vez... (hahahaha, eu precisava dizer isso).

Agora, com a finalidade de selar de vez o nosso vínculo eterno, vai surgir aí uma lembrança... Um meio de não nos esquecermos um do outro, nunca. E isso vale ainda mais pra mim e para a minha falha memória.

A vida sempre nos priva de quem mais cuida de nós, numa tentativa de nos fazer crescer e amadurecer.

"Já que eu não posso te levar, Neto... quero que você me leve amor... Já que eu também levo você na carne..."

Ele cresceu ao meu lado. Amadureceu e aprendeu a pensar comigo. Passou a viver depois de nossas discussões...

Eu evoluí com ele. Amadureci e aprendi a aceitar ao lado dele. Passei a dar valor às coisas simples à partir de nossas discussões...

Minha vida sem ele se resumiria a um caminhar sem rumo, sem sonhos, sem desejos...Sem sorrisos sobre coisas banais.

A vida dele sem mim talvez fosse mais correta, mais serena, mais plausível...

Enfim... esses detalhes eu desconsidero para que não me considerem (ainda mais) como má influência.

Neto,
Amo você_

Com carinho,
_PierroT
(a Mayra que apenas você conhece).

Aumentando o nível literário disso aqui...


INCOGNOSCÍVEL

Deixa-me enamorar o verso!
A Saudade me é fogo sempiterno!

Bela pena, que baila com vislumbre!
Arranca-me a palavra de fervor lúgubre!

Quero melaconlizar o bom prisma!
Esbaldar-me no vinho do sofisma!

Venho em rimas, puramente, satirizar!
Jogar ao alto as sementes, do caótico olhar!

Cala-te, axioma da infernal razão!
O pulsar da cosmologia legitima minha ação!

Não sou tolo de saciar-me em fonte séptica!
Nem ouso entregar-me a mentira cética!

Vês? Estas veias pulsando o abstrato?
Não ouse envolver-me em esdrúxulo trato!

Sou caótica, mas bem ciente dos meus atos!
A dor entrópica, meu empírico fato!

E tu, que ainda, destemidamente , me desafias,
A cada passo que lês minhas passionais linhas...

Saúdo tua pomposa coragem!
Pois é triunfante em sobrepor minha imagem...

Desvenda-me, se assim puder!
Acreditar em mim exige mais do que fé!

_PierroT

Tentativa de me fazer romântica...


A literatura fraca, enfadonha... Que agrada apenas a própria autora.

O que eu sinto?
É provável que eu nunca consiga descrever.

Com palavras não sei dizer... Com expressões, não sei agir...
Por sinais não consigo me fazer entender... É impossível representar por gestos, e por ações sou incapaz de explicar.

O que eu sinto? Nem eu sei.

Talvez seja aquela força que vem de dentro, tomando meus braços e meus pensamentos...
Perco o rumo e as idéias somem.
As verdades vêm, então, à tona. Eu não consigo dormir, não consigo pensar, não consigo me concentrar, não consigo parar de pensar...

Com você o tempo pára, isso é fato. A terra deixa de girar.
Eu perco o sentido e meu mundo voa.
Minhas palavras se embaralham e meus olhos só me enxergam em você.

Minhas certezas, ao seu lado, tornam-se dúvidas. Minhas verdades perdem a crença.
O ontem me traz saudade. O hoje, não acontece. E o amanhã é só esperança.

A espera torna-se infinita. O caminho tortuoso. O fim, inalcançável.

Sentimentos bons... Ruins... Mistérios...

Revertérios ao te ver, tornam-se piores na sua ausência.
Se não penso ao seu lado, longe de ti respirar torna-se sacrifício.
Ver-te de inúmeras maneiras só me faz te querer mais...
Seu toque e seu sorriso tornam-se essenciais.

Você me perturba em meus sonhos, fazendo juras de amor.
Acordo sem sentido, embriagada pelo o teu cheiro, com uma única vontade... Transformar a realidade. E isso, apenas isso, me move.

O que eu sinto? Já nem sei se quero saber...

E você o que sente ao me ver?

Sou apenas mais uma? Sou o amanhã que vai para o ontem e jamais será lembrado? Ou sou o instante que não pára?
Seria eu a música que te acompanha, a bebida que te entorpece, a droga que te alucina? Ou apenas o trago momentâneo de um cigarro?

Queria apenas que a certeza que eu tenho de que você é o certo, e o que você sente é tão incerto quanto o certo que eu sinto por você, viesse a tornar-se incerta para eu poder acreditar e ter esperança de que coisas ainda irão acontecer.

***** ~*****

Ele não visita isso aqui...
Mas ainda assim eu o amo...

Tentativa de me redimir...


AMEAÇA.

Não sei o que me vem acontecendo...

O tempo passa,
as pessoas passam
e eu fico aqui,
apenas vendo.

Não é proposital,
não faço nada por mal.
Mas me falta algo.

Um refrão,
uma melodia.
Me falta uma música pra viver.

Preciso dizer que te amo,
preciso dizer que não vivo sem você.

Por favor, prometa não cortar minhas asas.

Preciso de você do meu lado.
Preciso dizer que te amo
que dependo do teu calor...

Por favor, não me prenda em suas mãos.

Eu sinto que errei
mas voar me preserva, me renova...
Me faz querer dizer que não vivo sem você.

Venha voar comigo!

Não sei o que o tempo quer me dizer...
Não sei quanto tempo ainda tenho
e quero viver...
Com você.

Não é proposital,
Não faço nada por mal
mas me falta algo.

Um refrão,
Uma melodia,
Uma leve brisa,
Um sorriso...

Não é proposital,
Não faço nada por mal
mas me falta algo agora...

Me falta você.

Não deixe nosso amor
Se perder no crepúsculo.
Não faça o dia acabar
em um simples "Bom dia"...

Caso contrário,
eu morro,
eu mato,
eu te torturo em cada dia.

***** ~*****

São Carlos às vezes me conforta com céus assim....

Demônio_


Meus olhos se abrem no claro do dia, e o que enxergo é a escuridão do teu frio coração imaturo.

Quando você permitirá que eu me derreta sobre o teu corpo?
Quando tocará minha pele quente com suas firmes mãos?
Quando deixará de censurar o sorriso que desponta no canto de sua doce boca?

Demônio.

Tu és a assombração bestial que me perfura o coração em todas as noites, és a causa das lágrimas infindas que percorrem a minha face e és a inspiração que guia as tintas sobre o papel...

Tu, que és esbelto e possui cabelos e olhos enegrecidos pelo ardor dos iludidos, não passa de um sonhador infame que almeja o que não pode alcançar e ignora o que lhe é predestinadamente oferecido.

O meu Amor não é um prêmio disponível em uma estante qualquer.
O meu Amor apenas desperta com o auxílio da Paixão... e a minha Paixão por você necessita de manutenção, de carinho e de atenção. Não me abandone agora, não aqui... Não estou disposta a juntar novamente os estilhaços de uma mente corrompida, de uma mulher desinibida... de um coração que nutriu, por si só, o mais belo amor e o mais puro sonho; os mais enegrecidos planos, os inúmeros gatos, os estranhos netos e os perdidos tesouros...

******* ~*******

Explico! Agora eu amo... mas outrora estive morta.

Um jogo


Me diga uma coisa: O que é o amor? Me sane uma dúvida: O que é a paixão? Minha cabeça dói. O ar está faltando em meus pulmões. E eu sei que tudo isso é culpa sua.

**********~~~~**********

Há tempos não tenho uma noite tranquila de sono. Em meus sonhos ouço as vozes que mais me aterrorizam e vejo as silhuetas das pessoas que mais desejo. Ambas envoltas em vórtices instantâneos de luz e trevas.

Ele não sabe quem sou. Me enxerga apenas como um reflexo idealizado do esteriótipo da mulher com que sonha todas as noites. Ele não sabe como sou. E minha mente, sempre perturbada, se mutila com as infinitas possibilidades desse jogo estranho e dilacerador.

Me fragmentei. Tornei-me uma alma dotada de diversas faces, todas artesanalmente trabalhadas. Não o culpo por não me conhecer como deveria. Nem mesmo Eu sei coisa alguma sobre Mim. Mas ainda posso me lamentar, ao menos isso posso fazer sozinha.

E eu não mudei. Eu apenas me mudei, como fazia outrora.

Novamente não sei a que mundo pertenço, à qual plano estou ligada, à qual destino estou traçada... E eu o amo tanto!

Mas como esse amor me irrita! Como conspirações cósmicas interferem em seu tortuoso desenvolver! Eu, confesso, já não entendo mais nada (se é que um dia, de fato, pude compreender algo), e estou ficando novamente cansada.

Os olhares que se desencontram, o amor que é meramente casual... O sorriso falho desejando esgueirar-se em direção à outros lábios, a carne quente, palpitante, debaixo das roupas que são minhas únicas armas... Tudo isso perdeu o encanto e não me sacia mais. E apenas me irrita. E apenas me faz chorar e soluçar no meio da noite.

As leituras não limpam mais minha mente. Os meus olhos não enxergam mais como antigamente. E ele aparece igual em tudo o que está diferente.

Maldita visão que não abandona o meu pensar impulsivo.
Maldito ser...
Ah!
Lembrança mais quente!

_minha arca de desilusões.


Este aqui merece uma página solitária... Queria te agradecer por tudo o que vc fez por mim... :) ... É sério! Juro que não tem ironia alguma aqui...

Queria te agradecer pelos sonhos que vc me ajudou a tecer... Pelas ilusões que vc me ajudou a criar... Pelo tempo que vc me ajudou a fazer passar...

Queria agradecer ainda pelo banho que tomamos em plena praça pública (jamais me esquecerei disso)... Pelas partidas de sinuca... Pela companhia nas noites em que esperei pela condução rumo à casa...

Nosso amor existiu. Isso é fato. Mas se perdeu no tempo e no espaço. Não me arrependo de nada e desejo apenas o melhor pra você...

Agradeço às cicatrizes que vc deixou em mim, elas apenas me fortaleceram, e são um charme à parte.... Agradeço ao beijos que você recusou, apenas me deixaram com mais vontade... Agradeço às declarações que vc me fez e repetiu incessantemente a outras pretendentes... Elas me enganaram no início...

Mas agradeço, principalmente, ao seu último convite para uma última partida de bilhar...Não poderia haver despedida melhor... A sua dissimulação me toca, com a sensibilidade de uma pedra... Se não fosse por aquela tarde vazia, jamais teria me dado conta do que a vida estava guardando pra mim... Obrigada... Por tudo isso...E por tudo o mais que você praguejou pensando em mim.

Posso ser inconstante, mas fui sincera. Você sabia de todos os riscos... Lhe comuniquei sobre todos os defeitos de fabricação... =] ... Espero que você continue sendo o que nunca foi... Que você se encontre, num dia desses, e enfim seja feliz.... Que você viva mtos amores intensos e imprevistos.

Nosso amor está em algum lugar do tempo. Eu sei que ele ainda resiste. Você inspirou meus mais belos poemas... Você transpassou todas as linhas dos meus problemas... Você me fez fazer planos. Ninguém jamais havia me causado tudo isso sem ter feito o mínimo de esforço.

Que teu olhar continue a intrigar a mente de outra como eu... Que tua voz esganiçada perpetue-se nos sonhos de quem te amar... Que tuas mãos ásperas amparem os que caírem em teu caminho... Que tua humildade seja, enfim, resgatada e reestabelecida. Boa sorte pra você meu querido... Boa sorte neste caminhar por entre brutos.

_eternamente

_subversiva

_Pierrot.

{sempre apaixonada}

************ ~************

Resolvi publicar as cartas que nunca mandei.
Sempre preferi me machucar sozinha.

_Labirinto


10 de Outubro de 2007 20h49

Me perdi_

Entrei nesse labirinto e não consigo mais sair.

Confesso que ainda encontro algumas migalhas pelo chão,
Mas não me são suficientes para reencontrar o caminho de volta.

Me perdi e te perdi.

E meu coração jamais se contentou com outro.

A insônia me tomou o corpo,
E as lágrimas escorrem com a mesma facilidade
Com que respiro.

Nos perdemos.

Estávamos tão próximos,
Tão unos...
Tão únicos e indomáveis...
Que esquecemos de nos amarrar em algum lugar
...
E fomos alto demais.

Você está longe...
E está tão perto.

Às vezes,
Pela noite,
Ouço sua respiração
E te vejo estirado na cama.

Outras vezes
Me encontro encolhida em algum canto,
Chorando e clamando
Pelo teu acalento...
E tudo o que vejo é desprezo...
Pitadas de ódio e rancor.

E,
Pra ser sincera,
Eu gosto das coisas assim.

Mesmo longe te mantenho por perto...
Preso em meus pensamentos...
Sempre junto de mim.

Um dia as coisas se ajeitam.
um dia você se reencontrará em mim.

Um dia...
Um dia...

Quem sabe?

Enfim...

********~********
Data da época em que separei-me daquele com que agora estou... Ele não tem conhecimentos desses desabafos imbecis... No fundo ele ainda não sabe como eu sou....

Stress Internos_


Itu, 19 de Setembro de 2007

{stresse interno}

_Não sei mais se posso continuar em frente...

(...)

Estou me sentindo terrivelmente impotente diante do mundo.

O mundo gira cada vez mais veloz, e não estou podendo acompanhá-lo...
Meus músculos doem,
Latejam de descrença num futuro melhor.

Meus Semi-Deuses literários já não mais me distraem...
Nem mesmo me auxiliam nos momentos de angústia...

Tudo ao meu redor está perdendo a cor,
Meus olhos ardem...
E, dessa vez, livrei-me de todo o rancor.

Meus pensamentos vêm e vão como o vento.
Queria poder enclausurar-me em uma selva qualquer...
Esta velha cidade já me basta.

Hoje pensei em mandar tudo aos ares...
Senti pena da humanidade.

Os poucos pensamentos que consigo captar
Me atingem recheados de mensagens subliminares
Que não consigo mais decifrar...

Toda a ação me parece um sinal...
Tudo ao meu redor está envolto em mistérios.

Já não distinguo o real do imaginário.
Associei-os com tamanha precisão
Que minha realidade não coincide com a realidade de outrém.

Talvez falte-me amor...

Todo esse vazio que sinto...
Talvez seja fruto da descrença em um Amor maior.

Já não tenho motivo pra cantar minhas canções,
Nem pra gritar minha ira.

Parei de sonhar, e continuo sonhando...
Que parei de sonhar.

Não sei que caminho devo seguir
(se é que existem caminhos a se seguir)

Meu mundo está despovoado...

Desprovido de mentes pensantes
Que não sejam mecânicas.

A todo momento sinto uma presença que não sei de onde vem.
Ela me arrepia a epiderme,
Me traz lágrimas aos olhos,
Faz-me ficar ofegante.
E eu nem sei o por quê.

Tudo o que vejo ao meu redor parece não existir.
Não consigo concentrar-me em nada.

Meu corpo lateja por inteiro.
É o pulsar da vida...

E ela está aprisionada,
Não tem saída de emergência nessa minha casca.

Estou presa em minha própria liberdade.
Fui detida pela minha própria coragem.
Tudo e todos me incomodam,
Inclusive eu.

Tentei me esconder,
Me desvendaram.

Tentei, enfim, entender...
Foram mais velozes
e me decifraram.

Por fim me esforcei em me conformar...
E choro de raiva todas as noites.

Tudo está difícil.
Tudo é tão fácil!

Minha cabeça parece flutuar sob o meu corpo...
Talvez tenham-me decapitado
E deixado apenas a nuca ligada ao restante do meu Ser...

Isso explicaria porque o que penso
Não coincide com o que faço.

Estou tornando-me um parafuso,
Uma pedra...
Um daqueles objetos inanimados...
Que adquirem função,
Mas jamais importância.

Meus anjos estão protegidos em suas redomas...
Eu estraçalhei a minha,
E nem lembro quando.

Talvez já seja hora de mudar.
Ou, enfim, de assumir que não posso mais mudar.

Não sinto meu coração.
Mas sinto o calor do sangue correndo pelas veias...

Está tudo tão misterioso, tão silencioso.
Tenho medo do que pode acontecer daqui pra frente.
Não sei o que acontecerá daqui pra frente.

Estou convivendo com sensações que jamais julguei sentir...
E me é impossível definí-las...

Escrevo sem pensar,
(Acredite, isso é possível)
Minhas mãos, hoje, adquiriram vontade própria.

Estou imobilizada,
com medo de ver minha cabeça caída ao chão.

Está me faltando algo...
Esperança talvez...

Talvez seja falta de fé.

Cenas estranhas,
Com pessoas desconhecidas,
Têm-me perseguido.

É um sinal.
Não posso interpretá-lo.
Ando ambígüa demais...

Preciso de mais tempo...
De calmaria...
De sossego...

Estou pedindo arrego.

_Me tire daqui.

{{May_14:53}}

*********~**********

comentário infame: hauhauhauhauha.... não sei se é coincidência... mas era a fase pré-vestibular.... hahahahahaha

*********~**********
conclusão:
...No fim, meus medos sempre foram os mesmos...

Abdico! (por Harlequin)


May diz:
"Estava revirando alguns arquivos no computador... encontrei esse aqui."

(Sem título)

Acaba...

Brilhantemente seus vícios viram pó, varrido pra debaixo do tapete.
E então você percebe que tudo aquilo um dia formulado fora em vão.
Que suas escolhas não foram as corretas, como imaginado.
Que seu prazer emcima do sofrimento de quem ama e do constante sigilo são obsoletos e cruéis.
Começa...
A jornada pela anulação de seu próprio "ideal" fajuto, algo que não é grande o suficiente pra tomar as rédeas de sua vida, contudo não é pequeno a ponto de ser ignorado.
Caem as máscaras, caem os desejos, caem as vontades , caem as amizades e, no fim, sobra apenas o velho tapete solitátrio. Divorciado de toda poeira que um dia escondera.
E te ligam, te convidam, e tem que estar presente. Calmo, ativo e com um copo de cerveja sorrindo na espuma.
E tudo o que você quer é fugir, gritar alto longe dali. Será um egoísta assim, mas quem se importa? Afinal de contas a "vida é uma só e devemos aproveita-lá ao máximo". Muitos vivem sobre esse quesito libertador, certo dia me atrevi, mas percebo hoje que se evoluímos a tal ponto, é porque em determinado momento deixamos nossas vontades de lado e falamos com o racional e "correto".

Abdicar é uma faca cravante.

Abdico!

por _HARLEQUIN

ahhhhh... que saudades de nossos devaneios tolos =)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

"Conto às avessas"

Quantas fadas são necessárias para realizar um conto?


Era início de verão e o calor das ruas, dos corpos seminus, lhe incomodava de tal forma que mantinha-se em casa quase o dia todo. Passava seu tempo lendo, escrevendo, rabiscando desejos e lamúrias em folhas infindáveis. Vez ou outra erguia-se e se dirigia à janela onde acendia um cigarro, fumava e depois retornava, à passos pesados, ao desempenho de qualquer coisa que a distraísse. Tomava a si um velho violão, e esquecia-se de todo o mundo que a cercava e, assim, ia tocando seus dias através da interminável espera pelo cair da noite. Todos os dias lhe eram longos, insossos e improdutivos.

Conforme o sol caía, nova vida tomava posse de seu corpo. O som alto, agitado e cheio de ruídos, denunciava as ansiedades que lhe consumiam e afastava de si qualquer possibilidade de melancolia ou decepção. Cabelos ruivos, pele clara, rosto pintado, unhas afiadas e cheiro de rosas. Cerveja gelada, sinuca, gritos e entorpecentes. Naquela noite, em especial, levava um lenço carmim à cabeça e os ombros - pálidos ombros encobertos por uma fina camiseta negra - esgueiravam-se do tecido e mostravam-se macios e sedentos de amparo ao luar.

Quando a escuridão lançou seu manto sobre a cidade, ela sorria; todos os olhares e palavras ela retribuía. Deteve-se conversando com alguém que lhe parecia feito de névoa e, em pouco tempo, saboreava lábios gelados com a mesma intensidade com a qual desfrutara, em noites passadas, os prazeres que lhe proporcionaram.

Acordou com a cabeça pesada e viu seu mundo girar ao levantar. Ressaca. Alimentou-se brevemente e pôs-se a dedilhar sobre o antigo companheiro de dias ociosos. Ao cair da noite, enquanto se vestia, notou que não mais possuía o lenço carmim, bem tão estimado. Então, estupefata, errou por entre as portas e ancorou-se no mais próximo boteco. Com o olhar já enegrecido tentava concentrar sua atenção ao livro que detinha sobre o balcão. Em vão. Não pôde deixar de notar belo rapaz que adentrava o recinto: pele clara, cabelos cor de ouro, mãos trêmulas e olhar inquieto. Por instantes viu-o caminhar em sua direção, mas logo revirou-se e retomou sua leitura.

- “Olá?”, disse uma voz insegura.

- “Ah sim, olá...”, respondeu sem tirar os olhos do livro.

- “Acho que isso é seu...”, insistiu a voz.

- “Ahhh, você não está realmente achando que...” – e interrompeu rapidamente a fala ao se deparar com o tal lenço carmim – “... Oras! Que bom! Achei que o tinha perdido. Muito obrigada!”, disse retirando o estimado adereço das mãos trêmulas do rapaz.

- “Não! Espere!” – retorquiu o rapaz, segurando o lenço por entre seus dedos, em uma instantânea disputa de forças que pareceu infinita – “Eu não quero devolvê-lo...”
A esta altura nenhuma voz era ouvida e o tempo, paralisado, parecia prolongar ainda mais o momento.

- “Como não quer me devolver?!? Isso é algum tipo de piada?” – disse impaciente a moça.

- “É que quando o observo recordo-me de você e... isso é bom pra mim, entende?”, disse e suspirou aliviado o rapaz.

Diante da inesperada declaração a expressão naturalmente rude do rosto da moça desfez-se, e ouso dizer até que seus olhos perderam-se em um brilho infinito enquanto degustavam a deliciosa sensação daquele momento:

- “Obrigada, de verdade. Tenho especial afeto por esse pedaço de pano... Qual é mesmo o seu nome?”, indagou a moça ainda dispersa em suas fantasias.

Enquanto o tímido rapaz satisfazia-lhe a curiosidade, ela viajava: corria pelos Contos de Fadas esbarrando violentamente em Belas Adormecidas, Brancas de Neve até deter-se diante de Cinderela. Era ela a Cinderela, estava certa disso. Jamais tivera tamanha certeza de algo, como agora.

Então como que para dar mais emoção, mais fantasia talvez, ao momento que vivia, disse ansiosa e em tom insinuante:

- “Ahhh sim! O prazer é meu. Mas tenho de ir embora, muitas coisas a se fazer... Sabe como é, né?” – e saiu veloz com um leve sorriso na face, sem voltar-se ao rapaz que, confuso, permaneceu parado sem nada entender. Sumiu pela rua e teve no que pensar durante todos os dias ociosos que seguiram.

O rapaz, com seu olhar perdido, suspirou:

- “É, lá se vai mais uma... Como essas mentes femininas são complexas! Ainda esqueceu o tal lenço... Deve ser estresse.” – e, caminhando pelas ruas, avistou uma garota que brigava contra o vento para prender seus próprios cabelos. Comovido, disse: “Ei, mocinha! Este lenço pode te ajudar. É só colocá-lo assim ó... e pronto!”, e continuou seu caminho sem mais interrupções, acompanhado apenas pelo leve cheiro de rosas - exalado pela intrigante mulher - que ainda perpassava-lhe as narinas e atiçava suas lembranças mais doces.

Assim se perdem as esperanças de um grande amor, e se esvaecem as imagens da rude mulher e do tímido rapaz, deixando fixarem-se apenas as jovens esperanças e sonhos da menina que, saltitante, conta para sua mãe:

- “Mas é verdade mamãe! Ele era loiro, alto e me ajudou a prender os cabelos! Olha o presente que ele me deu, mamãe! Olha! Ainda tem o cheiro dele! Meu Príncipe Encantado!... E cheira como uma rosa! Ah! Meu príncipe cheira como uma rosa!”

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Ninguém precisa ficar para sempre em lugar algum.
Sentimento algum precisa fixar-se sempre em alguém.
O amor transcende ao material, e desapega-se com a mesma facilidade com a qual atinge outro ser mais digno, ou não, porém sonhador.
A mulher, que um dia sonhara, pôs-se então a regar sua frágil esperança – pois lhe disseram, certa vez, que sem amor ninguém vive – talvez ela ainda esteja em estado de formação; talvez esse mundo seja apenas o seu útero. Talvez não.


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Com o tempo você, caro leitor, perceberá que sou incapaz de findar devidamente uma história, um conto ou um causo...
A inabilidade de o fazer torna meus textos reflexivos demais, vagos e evasivos demais....
Qualquer semelhança com a autora não trata-se, portanto, de mera coincidência.
Um dia aprendo a colocar pontos finais no que escrevo, no que vivo, no que penso...

E isso (cá entre nós) irá me doer tanto!

Depois que se adquire a arte de suspirar, de admirar, de apreciar reticências....
Tudo o mais se torna seco, sério e simétrico demais para que eu posso digerir....

Atente-se!

Bons Sonhos,
PierroT_