terça-feira, 12 de agosto de 2008

Um jogo


Me diga uma coisa: O que é o amor? Me sane uma dúvida: O que é a paixão? Minha cabeça dói. O ar está faltando em meus pulmões. E eu sei que tudo isso é culpa sua.

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Há tempos não tenho uma noite tranquila de sono. Em meus sonhos ouço as vozes que mais me aterrorizam e vejo as silhuetas das pessoas que mais desejo. Ambas envoltas em vórtices instantâneos de luz e trevas.

Ele não sabe quem sou. Me enxerga apenas como um reflexo idealizado do esteriótipo da mulher com que sonha todas as noites. Ele não sabe como sou. E minha mente, sempre perturbada, se mutila com as infinitas possibilidades desse jogo estranho e dilacerador.

Me fragmentei. Tornei-me uma alma dotada de diversas faces, todas artesanalmente trabalhadas. Não o culpo por não me conhecer como deveria. Nem mesmo Eu sei coisa alguma sobre Mim. Mas ainda posso me lamentar, ao menos isso posso fazer sozinha.

E eu não mudei. Eu apenas me mudei, como fazia outrora.

Novamente não sei a que mundo pertenço, à qual plano estou ligada, à qual destino estou traçada... E eu o amo tanto!

Mas como esse amor me irrita! Como conspirações cósmicas interferem em seu tortuoso desenvolver! Eu, confesso, já não entendo mais nada (se é que um dia, de fato, pude compreender algo), e estou ficando novamente cansada.

Os olhares que se desencontram, o amor que é meramente casual... O sorriso falho desejando esgueirar-se em direção à outros lábios, a carne quente, palpitante, debaixo das roupas que são minhas únicas armas... Tudo isso perdeu o encanto e não me sacia mais. E apenas me irrita. E apenas me faz chorar e soluçar no meio da noite.

As leituras não limpam mais minha mente. Os meus olhos não enxergam mais como antigamente. E ele aparece igual em tudo o que está diferente.

Maldita visão que não abandona o meu pensar impulsivo.
Maldito ser...
Ah!
Lembrança mais quente!

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