Pensei em estrear com alguma obra decente, mas descobri que não sou capaz de qualificar qualquer um de meus rascunhos.
Ultimamente o Vendaval, que adotei como sobrenome, tem levado meus pensamentos para longe de meu alcance limitado.
Imagino enredos que não se fixam tempo suficiente para que sejam transcritos. Visualizo cenas e fotografo na memória tolas ações que fogem de minha mente antes que as observe devidamente.
Me sento solitária e a única coisa que prende minha atenção é o cursor piscando, enquanto tento escrever alguma coisa, e a fumaça do cigarro que traça imagens distorcidas do que sou e do que quero ser.
Sei bem que ao meu leitor (praticamente exclusivo) não interessam as banalidades cotidianas ou as exaltações amorosas. Ocorre que não sei contar piadas nem situações engraçadas, não sei poetizar e talvez nem saiba amar. Estou naquele momento crucial da vida em que nossa mente vai sendo, enfim, forjada por meio de nossas experiências pessoais.
Não sou cronista, nem mesmo sei definir Crônica... Sei apenas que sinto o que vejo, ouço e toco. O restante das reações são praticamente ignoradas pelo meu inconsciente e passam distantes de qualquer possível genialidade.
Ainda me pergunto se estou realmente viva. Às vezes me parece que vejo o mundo como se estivesse dentro de uma televisão - com os espectadores à minha volta aguardando, ansiosos, algum ato grandioso.
Devo ter nascido na época errada.
E o mais peculiar nisso tudo é a ausência de sentimentos e sensações. Muitas pessoas já sentiram-se assim, aposto. Como quando andamos pela rua a esbarrar em estranhos ou vemos uma cor que não sabemos definir, ouvimos vozes que não se dirigem à nós e pensamos amar verdadeiramente até surgir um novo amor ainda mais imponente que o anterior.
Enfim, estou a discorrer por entre essas linhas e ainda não sei qual assunto abordar. O vazio do autor é algo fascinante e trivialmente insosso.
Acredito que eu deveria ler mais obras mais vezes assim, quem sabe assim não absorvo técnicas de grandes mestres e (re)produzo, enfim, algo grandioso para a posteridade.
Estranho. Quantas pessoas será que vivem com a sensação de suspirar constantemente pela última vez? Eu vivo assim. Antes fossem suspiros de amor, mas não. Eu me desespero e sei que nenhum desespero é em vão. Cultivo bem as minhas asas.
E pensar que estou a escrever para um bem-aventurado e curioso leitor que não se deteve, que não se conteve apenas com a minha breve descrição no profile do Orkut.
Me diz uma coisa, quanto Tempo você irá viver?
O Tempo é algo tão relativo que muitas vezes penso ser inexistente. Ah! Existem muitos filósofos para discutir sobre esse assunto. Deixemos que eles labutem sobre isso.
E a Esperança, ainda permeia sua alma?
Ela aparenta ser tão independente e autônoma que penso sempre ser impossível atingí-la.
Acredito que voltarei muitas vezes ainda, sempre com o intuito de desabafar sem medo de reprovações ou repulsa. Afinal, tudo está tão distante de meu mundo que não interferiria novamente em seu funcionamento.
Vou saindo, frustada, pois tanto produzi e nada desenvolvi.
Fique então com essa névoa crepitante de vazio em sua cabeça, pois a minha perdeu-se há muito tempo enquanto buscava aquele lugar que jamais imaginei, aquele amor que jamais fui capaz de idealizar... aquela poesia fantástica que jamais fui capaz de escrever.
Não é belo,
É triste:
A melancolia existe.
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